Eu transmigrei no dia em que, depois de dez anos de estudo árduo, consegui entrar numa universidade top 5. Então passei dois meses aceitando esse fato cruel e decidi largar tudo e viver como um peixe salgado tranquilo. No entanto, um dia descobri que o mundo para o qual eu tinha vindo era, na verdade, um mundo perigoso com superpoderes. Então eu passei mais dez anos me tornando uma potência de primeira linha entre as top 5 e continuei largada, vivendo como um peixe salgado tranquilo. Para passar o tempo dessa vida de peixe salgado, arrumei um namorado de namoro online. Meu namorado era muito sincero: eu dizia que queria ver os gominhos do abdômen, e ele, paf, tirava uma selfie do tanquinho e me mandava. Eu dizia que queria ver a foto de um belo homem saindo do banho, e ele, paf, tirava uma selfie de um belo homem saindo do banho e me enviava. Eu dizia que queria ver... Enfim, eu queria ver o que fosse, ele atendia. Não convém revelar demais aqui para vocês. Então, meu namorado de namoro online realmente era muito sincero, e eu gostava muito dele (com certeza não era por ele ter um corpo ótimo), e por isso propus um encontro presencial (eu não queria fazer nada). A outra parte também concordou sem rodeios. Só que, depois do encontro, descobri que ele era top tanto no corpo quanto no rosto, mas... a cabeça dele não era muito normal. O que eu faço? Esse namorado, afinal, eu devo ficar com ele ou não? Guia de leitura: #todo dia, atualizando de cabelo em pé# #série de se jogar por amor# #romance bobinho, leve e açucarado# #(PS: se você não viu o anime, pode primeiro dar uma olhada no romance do mesmo tema já concluído ali do lado, “Meu namorado cobiça minha habilidade de nen todos os dias”, para entender o universo~ coraçãozinho~) *** Incluindo a pré-venda: “Como diabos se pilota uma mecha!” Wu Jixing, descendente das artes marciais do século vinte e um, transmigrou para um mundo interestelar futurista. Poderes especiais, mechas, feras monstruosas, modificação genética, raças alienígenas, jogos de realidade virtual e outros elementos descolados que só existiriam em filmes de ficção científica se tornaram realidade. E ela era apenas uma simples estudante do terceiro ano do ensino médio nesse mundo repleto de perigos e desconhecidos. Boa notícia: ela tinha o bônus de ouro de uma transmigrante. Má notícia: esse bônus não servia para nada. O que a acompanhou na transmigração foi apenas um aplicativo de romances com fórum, que ela costumava ler na vida passada. No dia a dia, além de ler romances, só dava para fuçar o fórum e comer fofocas; não era, de forma alguma, o lendário sistema tecnológico superpotente vindo de uma dimensão superior. Wu Jixing: ... então, afinal, para que serve esse bônus de ouro?!!! Naquela mesma noite, apareceu num fórum moderno uma postagem estranha: [Gente, socorro, eu transmigrei e vou prestar o vestibular já já, então como diabos se pilota uma mechaaaaa!] Autor do tópico: como diz o título. Já pilotei trator, escavadeira e Maserati, mas mecha eu nunca pilotei, socorro! Por que o vestibular precisa cobrar combate de mecha!! Assim que a postagem apareceu, foi parar em Hot e ficou na página inicial do fórum por vários meses. Muitos anos depois, esse tópico foi desenterrado por acaso numa investigação de arqueologia da internet, e os internautas descobriram que a resposta final do autor na postagem era: Autor do tópico: deixa pra lá, tanto faz. Se não der certo, eu rasgo a mecha no braço mesmo. *** Outro romance concluído do fórum ao lado: “Meu namorado cobiça minha habilidade de nen todos os dias” — cp com o líder da tropa. “Álcool de verdade ensina você a fazer corpo mole à maneira de Conan” — cp Gin.
República de Mingbo, norte, uma pequena cidade na fronteira.
— Aisia, tem alguma novidade por aí?
Sob o manto da noite, no topo de um edifício na cidade, um homem observava à distância com um binóculo de visão noturna. Atrás dele, à direita, na sombra da grade, estava montado um rifle de precisão.
O dono da arma parecia estar dormindo, imóvel como uma estátua.
— Sinceramente, as missões da associação estão cada vez mais entediantes. Ou é fazer papel de segurança cuidando de portão, ou babá de um bando de pirralhos. Desta vez, finalmente apareceu um trabalho decente e, no fim, cá estou de novo, vigiando portão — praguejou o homem, cuspindo no chão, — e ainda por cima com um empregador idiota! Eles acham mesmo que lidar com alguém da família de assassinos Zoldyck é fácil assim...
Ele riu com desprezo ao vento frio, mas tossiu ao ser surpreendido por uma rajada.
— Droga, que frio. — Para disfarçar o constrangimento, virou-se para trás. — Ei, Aisia, está me ouvindo? Não me diga que dormiu de novo. Sei que a missão é um tédio, mas se por acaso encontrarmos um assassino dos Zoldyck... eles não vão se importar em eliminar mais alguns pelo caminho.
— Hã? Ah... — Da sombra atrás dele, uma voz feminina preguiçosa finalmente respondeu. — Você não estava reclamando de tédio, Matos? Se encontrar com eles, seu tédio acaba.
— Não! Droga, não quero papo com esses monstros. — O canto dos olhos de Matos se contraiu, mas não queria admitir que era covarde. — Você não entende, Aisia! Eles são a mais infame família de assassinos! Dizem que nem