Sem harém + um pouco astuto + um pouco invencível + leve + vida cotidiana Ma Teng, eletricista de nível 3 de uma usina siderúrgica, para salvar bens do Estado, arriscou a própria vida para puxar a chave geral; no fim, acabou morrendo. Depois disso, seu corpo foi ocupado por Ma Teng, um homem moderno, honesto e comum, que havia passado a maior parte da vida em meio a fracassos e contratempos. Que tipo de ondas um homem moderno, honesto e comum, pode provocar naquela época?
Mateng estava prestes a sair do trabalho quando os colegas se despediram.
“Ma, acabou o expediente.”
“Ah, já vou. Vá na frente, engenheiro Wang. Eu ainda preciso salvar um arquivo.”
“Tudo bem então, não vamos te esperar, não.”
“Seu Ma, nós já estamos indo.”
Mateng acenou de volta para os que o cumprimentavam ao sair.
Pouco depois, a fábrica ficou vazia, com Mateng sozinho ali.
Olhou para os lados; não havia ninguém. Tirou um cigarro — o mais barato que tinha, da marca Hongtashan, versão macia da Clássica de 1956, sete yuans o maço.
Acendeu com um isqueiro vagabundo e tragou fundo.
Mateng, embora tivesse o sobrenome Ma, não tinha a menor relação com aqueles figurões de mesmo sobrenome; se fossem procurar parentesco à força, talvez, subindo mil e tantas gerações, conseguissem com muita boa vontade encaixá-lo em alguma linha de vizinhos distantes.
Tinha trinta e oito anos, era um engenheiro elétrico de categoria mais baixa, e seu trabalho numa fábrica de caixas elétricas não era muito diferente do de um operário comum — com a diferença de que ainda era mais complicado. Era um homem honesto que passara boa parte da vida sem grandes feitos. Alguns anos antes, com os preços dos imóveis disparando, apertou o coração e comprou um apartamento pequeno de cinquenta metros quadrados, dois cômodos, com a sensação de enfim ter um canto na cidade, imaginando que, com casa própria, teria muito mais chance de conhecer alguma moça.
Mas o destino zombou dele.
Mal tinha acabado de comprar, mal tinha concluído a reforma,