O Servo Supremo da Casa

O Servo Supremo da Casa

Autor: não preservar a integridade moral na velhice

Para ler este livro do jeito certo, consulte “A História do Pavilhão Ocidental”; a escrita é refinada e delicada, leitores impacientes, entrem com cautela! O doutor em medicina Lin Wanjie transmigra para o corpo de um criado da antiga residência da família Xiao. A partir daí, esse criado simplório, valendo-se de suas habilidades médicas e de seus conhecimentos modernos, torna-se o maior tesouro da família Xiao. A primeira senhora confia nele, a segunda senhora gosta dele, a terceira senhora é obcecada por ele; só a senhorita mais velha acha que há algo errado com aquele Lin tolinho. “Mãe, esse Lin tolinho definitivamente não é nenhum idiota; ele sabe mil artimanhas e é péssimo! Como é que vocês não acreditam em mim?” Lin Wanjie: “Senhorita mais velha, isso é uma injustiça!”

O Servo Supremo da Casa

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Capítulo 1: O criado tolo e a bela senhora

No décimo ano da Grande Xia, no terceiro dia do décimo segundo mês lunar.

Yujiao'er, a célebre rainha das flores que outrora incendiara a capital, já estava casada havia meio ano na residência Xiao. Ela imaginara que entrar numa família poderosa seria o melhor destino para uma mulher do mundo das cortesãs. Não esperava que, ao penetrar em tal casa, o mar fosse fundo como abismo e que a liberdade jamais tornasse a existir.

No vasto pátio interno, tudo parecia um esplendor de flores em profusão, peixes saltando e pássaros voando; na verdade, porém, era apenas uma solidão indescritível, insuportável.

O velho senhor Xiao já passara dos setenta. Até para se manter vivo precisava de grande esforço; há muito não tinha forças para os assuntos da carne.

Yujiao'er era mulher de temperamento ardente. Ao lembrar-se dos dias passados, brindando com homens letrados e jovens nobres, trocando olhares e promessas veladas, o fogo no coração da terceira senhora Xiao só crescia.

Às vezes, a solidão é mais difícil de suportar do que a morte.

Yujiao'er queria um homem.

...

Hangzhou estava coberta por uma forte nevasca; o vento frio cortava a pele. As ameixeiras da residência Xiao haviam florescido, e as pétalas jaziam espalhadas pelo chão.

A criada de aspecto juvenil encolhia-se sob o beiral, soprando nuvens de ar gelado, enquanto fitava o pátio vazio com sobrancelhas finas franzidas e os olhos cheios de queixa.

No quarto, um braseiro ardia. Portas e janelas permaneciam fechadas, tornando o ambiente abafado e inquieto.

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