A mulher mística e charlatã Yun Chan, do século vinte e dois, atravessou o tempo e, de uma só vez, acabou se casando com um príncipe de sangue colateral que detinha enorme poder sobre a corte. Só que, apesar de ser invencível, capaz de derrotar tudo e todos e até mesmo de desafiar o céu, a terra e o ar, sempre que ficava diante daquele homem, ela imediatamente virava um franguinho fraco, só podendo suportar que ele a intimidasse, a explorasse e agisse com todo tipo de ousadia descarada. Um dia, ela enfim conseguiu encontrar uma chance de fugir. Mas, para seu desespero, acabou sendo forçada a voltar para o lado dele por causa de falta de ar. Isso não era científico! Certo príncipe obsessivo sorria com uma expressão demoníaca: “Aceite o seu destino, Chan’er. Não seria melhor ficar obedientemente ao lado deste príncipe?” “...” Yun Chan não conseguia entender, e também não tinha saída. Até que, muito tempo depois, quando memórias há muito seladas foram desvendadas, ela enfim soube: afinal, ele era a dívida que ela devia na vida passada.
Que calor!
Seu corpo inteiro ardia como se estivesse prestes a pegar fogo.
Yun Chan rasgava com força as roupas que trazia no corpo, mas o tecido parecia laçado a ela como tiras de pano, sem que nem mesmo conseguisse encontrar os botões.
De repente, passos soaram do lado de fora.
“Vamos logo, o sabor da noiva não é algo que qualquer um tenha a sorte de provar. Esta noite, nós dois realmente demos um golpe de mestre!”
“Tem certeza de que precisamos mesmo fazer isso? Ela é a consorte do Rei Zhan...”
“Que medo é esse? Já houve quem preparasse tudo de antemão. O Rei Zhan não aparecerá esta noite, e a noiva foi drogada com uma substância de desejo. A esta altura, provavelmente já está fora de si. Quando nos vir, só vai se atirar em cima de nós. Fique tranquilo e aproveite!”
A conversa obscena e repulsiva dos dois homens desconhecidos entrou com clareza nos ouvidos de Yun Chan, e só então ela compreendeu: haviam drogado a sua bebida.
Mas ela era imune a todos os venenos; como podia ter caído?
Não houve tempo para pensar mais, porque os dois homens já arrombaram a porta e invadiram o quarto.
“Pequena beldade, está muito mal, não é? Não se apresse, viemos ajudar você...”
Ao ver a jovem de beleza estonteante, os dois tinham nos olhos um brilho vil e malicioso; sem conseguir se conter, avançaram depressa em sua direção.
As longas pestanas de Yun Chan tremeram levemente.
Entre as sobrancelhas, uma marca vermelha-sangue em forma de flor do além brilhou e desapareceu num instante.
Os dois ainda não ti