He Wen: Dizem que eu sou herege. — O que você fez? — Eu costurei os ferimentos do paciente com agulha e linha. — E mais? — Abri o crânio do paciente e removi o tumor dele. — ... — Não, me escute explicar, tudo isso tem base científica! — Mas este é um mundo de magia, senhor He Wen. Lamento informar, você está sendo procurado. ———————————————————— Mal havia atravessado para outro mundo e ainda sem conseguir se recompor, He Wen salvou uma princesa do reino cuja vida estava por um fio. A partir daí, começou a vida de um médico genial de outro mundo, enredado pelas duas princesas. “Vocês duas, eu salvei a vida de vocês, não foi para vocês se casarem comigo! Se quiserem me retribuir, podem usar outro jeito, por exemplo me dar dinheiro!” Princesa demônio: “Case-se comigo, e eu reunirei para você todos os tesouros deste mundo.” Princesa humana: “Case-se comigo, e você se tornará o senhor deste país; riquezas e glória sem fim estarão ao seu alcance.” He Wen chorou. “Eu sou só um médico, eu só quero tratar doenças e salvar pessoas!” “Não! Hoje você tem que escolher uma!”
“Déven! Déven!”
Entre sombras e delírios, ouviu alguém chamar seu nome.
Com esforço, ergueu-se e percebeu que estava dentro de uma pequena cabana em ruínas, cercado por vários homens vestindo antigas armaduras de estilo ocidental.
Todas elas estavam manchadas de sangue, e seus donos, sujos e desgrenhados, pareciam profundamente abatidos.
Quem o sacudia pelos ombros era um cavaleiro de meia-idade, trajando uma armadura branca. O rosto estava coberto de sangue, e a armadura, que outrora devia ser alva, exibía agora cortes por toda parte e largas manchas rubras.
“Déven, você não é o sacerdote mais talentoso desta geração da Ordem Sagrada? Pense em alguma coisa! Faça alguma coisa!”
Só então Déven reagiu.
Não deveria ele estar no meio de um acidente de carro?
Por causa de uma cirurgia, já fazia meio mês que mal conseguia fechar os olhos; e justamente no dia da operação, quando dirigia para o hospital, sofreu um grave acidente na estrada.
Então, por que permanecia ali, ileso, de pé?
Olhou para as próprias mãos e roupas e viu que eram idênticas às do velho diante dele.
“O que está acontecendo...? Será que eu... transmigrei?”
Déven sentiu a cabeça latejar, e os ouvidos zumbiram. Só recobrou a clareza quando o velho cavaleiro o sacudiu outra vez.
O velho estava aflito. Na cabana, vários sacerdotes de túnicas brancas se agrupavam em torno de uma cama, recitando encantamentos. No centro, sobre a cama cercada por eles, tremulava uma tênue luz verde.
“Déven! Você não está me ouvindo? Salve a princesa!