No décimo quinto ano do reinado de Hongwu, Han Cheng despertou no leito da Princesa de Ningguo. Ela era a filha primogênita legítima de Zhu Yuanzhang, e também a mais amada dentre todos os seus descendentes! Diante do furor tempestuoso do velho Zhu, que ameaçava esfolá-lo e transformá-lo em lírio selvagem, Han Cheng não teve alternativa senão revelar sua identidade de viajante do tempo para salvar-se. Naturalmente, Zhu Yuanzhang não acreditou. Contudo, as maravilhosas artimanhas que Han Cheng demonstrou em seguida forçaram-no a admitir, ainda que relutante, que Han Cheng vinha de vários séculos à frente. Após aceitar que Han Cheng era um homem do futuro, o velho Zhu decidiu interrogar-lhe sobre certos assuntos. Com um sorriso de supremacia, Zhu indagou: “Meu filho Biao, não se tornou ele um monarca santo de sua era?” Han Cheng respondeu: “Ele faleceu antes mesmo de subir ao trono.” Zhu Yuanzhang insistiu: “Yunwen, desde a infância, sempre foi compassivo e filial; se ele se tornar imperador, certamente assegurará a prosperidade da grande dinastia Ming!” Han Cheng declarou: “Ele foi deposto após apenas quatro anos.” “Então, afinal, quem foi que se tornou imperador de nossa dinastia Ming?!” O velho Zhu estava à beira do desespero. Han Cheng lançou um olhar a Zhu Di, que encolheu o pescoço, tomado de súbito temor… Ao saber do Incidente de Jingnan, Zhu Yuanzhang sentiu uma vontade irresistível de chutar Zhu Yunwen até a morte. “Sem dúvida, este é o mais incapaz dos meus descendentes, o mais excêntrico dos imperadores da dinastia Ming!” Han Cheng, com voz grave, advertiu: “Sogro, pese bem as palavras, pois depois dele ainda viriam o deus da guerra, o taoísta, o carpinteiro…” Zhu Yuanzhang: “???”
Ano décimo quinto do reinado Hongwu da dinastia Ming.
No Palácio Kunning, impregnado pelo denso aroma de ervas medicinais.
— Cof, cof, cof...
A Imperatriz Ma, aos cinquenta e um anos, apertava um lenço de pano contra os lábios, emitindo uma tosse dilacerante e profunda.
Sempre tão vigorosa e altiva, agora sua figura mostrava-se extraordinariamente debilitada. Até mesmo o gesto de tossir carecia de força.
— Irmãzinha, irmãzinha!
Zhu Yuanzhang, meio agachado ao lado da Imperatriz Ma, estendia a mão robusta sobre as costas da esposa, batendo suavemente.
Este soberano que lutara por meia vida, da margem sul ao norte, restaurando o trono legítimo dos han, famoso por sua mão de ferro e coração impiedoso, encontrava-se agora à beira das lágrimas.
Quisera ele que a enfermidade recaísse sobre si; voluntariava-se para adoecer no lugar da Imperatriz Ma!
Suas mãos, outrora ásperas e vigorosas, que ceifaram cabeças de inimigos, agora repousavam nas costas de Ma com uma delicadeza e cautela inesperadas.
Como quem cuida de uma porcelana primorosa, já trincada, temendo que um descuido a desfizesse em estilhaços.
A Imperatriz Ma tossiu longamente, até que por fim o ímpeto diminuiu.
Lançou um olhar ao lenço; notou nele um traço de sangue rubro e gritante.
Imediatamente apertou o pano na mão, receosa de que Zhu Yuanzhang o percebesse.
— Chongba, não precisa ficar comigo, vá cuidar dos assuntos do Estado.
Estou bem, não se deve sacrificar o público pelo privado.
Ela respirava com dificuldade, olhand