Lu Yan encontrou-se transportado para um mundo singular, onde, a cada intervalo de tempo, todo o universo era submetido a uma atualização de versão. Se ontem ainda vigorava o cenário xianxia, repleto de buscas pela imortalidade, hoje as terras transformavam-se em um apocalipse desolado, infestado de zumbis. No instante anterior, uma verdadeira divindade descendia para contemplar o mundo enigmático; no seguinte, a Federação Humana explorava as estrelas, navegando pelo vasto mar cósmico. Em meio a essa sucessão de mudanças imprevisíveis, todas as criaturas eram levadas pela correnteza, exceto Lu Yan, que se mantinha independente das incontáveis versões. No período xianxia, ele buscava técnicas e artes secretas; na era apocalíptica, refinava e sacrificava milhares de almas; no cenário urbano, inaugurava a recuperação da energia espiritual, instigando grandes transformações; no mundo de mistérios, difundia os métodos do Dao imortal para conquistar um assento entre os deuses. Quando o nome de Lu Yan ressoou por entre as diversas versões, ele já se erguia acima de todos os imortais e divindades.
— “Lu Yan! Vá buscar os talismãs de papel no depósito e não se esqueça de limpá-los cuidadosamente com o talismã de remoção de poeira.”
— “Lu Yan! Por que faltam dois décimos de cinábrio para desenhar talismãs hoje? Pago-lhe uma pedra espiritual por mês, seria para que ficasse preguiçando?”
— “Este talismã de papel está danificado! Para que serve, afinal? Vou descontar-lhe meia pedra espiritual como compensação pelo prejuízo!”
No interior da Loja de Talismãs Espirituais, o gerente corpulento, Chu Hao, não cessava de proferir reprimendas severas, censurando o único funcionário da loja.
Esse funcionário aparentava não mais que vinte anos, de compleição franzina e feições delicadas, exalando certa aura de erudição; contudo, a rude veste de algodão cru que trajava destoava de sua natural elegância.
De cabeça baixa, sem pronunciar palavra, limitava-se a cumprir, resignado, as ordens do gerente Chu Hao, organizando os materiais e preparando o cinábrio.
Já era entardecer. O mercado de artesãos estava rarefeito de cultivadores em busca de produtos espirituais e, assim, os impropérios do gerente Chu logo atraíram a atenção de diversos donos e empregados dos estabelecimentos vizinhos.
Um dos lojistas, não suportando mais a cena, interveio com brandura:
— Gerente Chu, poupe-lhe ao menos algumas palavras! Vejo que Lu Yan é trabalhador e dedicado; se o fizer ir embora, onde encontrará outro auxiliar tão apropriado?
O gerente, de ventre avantajado, arregalou os olhos e bradou, sem a menor cerimônia:
— Sapos de três pernas são