A Extraordinária Grande Navegação

A Extraordinária Grande Navegação

Autor: Pastor de Baleias do Mar do Norte

Com indiferença, as divindades se erguem acima das nuvens, contemplando friamente o mundo dos homens; répteis sem cauda ocultam-se nas fendas entre o inverno e a primavera, sussurrando segredos furtivos, enquanto o deus octópode, de chapéu alto, faz soar sua flauta nas gélidas águas do oceano. As máquinas a vapor acabam de acender o fulgor da civilização; duelo entre espada e feitiçaria, alquímicos canhões e majestosos veleiros entoam o cântico da morte. Sociedades secretas e igrejas dos deuses legítimos se perseguem e se ocultam. O grande tempo já ergueu seu pano de fundo: a Era das Grandes Navegações! A Era dos Grandes Descobrimentos! Há epopeias de vastidão incomparável, mas também conspirações sombrias e traiçoeiras. Civilização subjuga a barbárie? Não, apenas barbárie e uma barbárie ainda maior! Ivon desperta numa pequena cidade costeira e ergue-se como descendente de uma nobreza decadente, avançando passo a passo rumo ao vórtice central, até conquistar a coroa milagrosa no ápice do extraordinário. Grupo de leitores: 966926543

A Extraordinária Grande Navegação

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Capítulo Um: Um Novo Começo

A noite era espessa e profunda.

No quarto ligeiramente apertado, um jovem jazia na cama, banhado em suor, as pálpebras cerradas ocultando globos oculares que rodopiavam inquietos sob a pele, o rosto por vezes distorcido numa expressão de tormento, incapaz, porém, de despertar. Evidentemente, o sonho daquela noite estava longe de ser aprazível; talvez pesadelo fosse a palavra mais adequada.

— Haa...!

De súbito, sentou-se na cama, respirando com dificuldade, o peito arfando como um fole, o semblante lívido após libertar-se da opressão onírica. Abraçou a cabeça com ambas as mãos, permanecendo assim durante um longo momento, até que, pouco a pouco, foi recobrando a lucidez, acostumado que estava a sobressaltos diários.

Sem desejar retornar ao leito, Aiwen vestiu o pijama de linho e, erguendo-se, serviu-se de um copo d’água já há muito fria. Postou-se diante da janela, o olhar perdido e insondável.

— Outra vez aquele pesadelo...

Aiwen Garriott: assim se chamava ele, descendente de uma linhagem nobre em decadência — ou melhor, outrora nobre, pois já nem mesmo o título restava. Desde aquela noite de sangue e fogo, três anos atrás, honra, riqueza e família haviam-se tornado lembranças distantes para o jovem.

Outrora, o clã Garriott, barões de direito, fora um entre os tradicionais nobres com terras no reino insular de Illya. Seu início era digno de lenda: Garriott, outrora simples aventureiro plebeu, abrira, à frente de sua embarcação, as rotas do grande mar, vencendo recifes traiçoeiros, tempestades e bestas marinhas ferozes, cruzando o

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