Ambrosio jurou solenemente: com os recursos necessários, até mesmo os deuses ele esmagaria!
O castelo sombrio estava envolto em penumbra, iluminado apenas pela luz bruxuleante de algumas velas. Ambrósio usou seus dedos esqueléticos para abrir o envelope; o lacre de cera vermelha foi quebrado com um estalo nítido, desfazendo também o selo mágico que o protegia.
Desdobrando o pergaminho de pele de carneiro, as chamas azuladas em suas órbitas vazias tremularam algumas vezes.
“Mestre Ambrósio, após análise editorial, informamos que sua tese ‘Sobre a Modificação da Forma de Criaturas Não-Humanas dos Mortos-Vivos’ não foi considerada adequada para publicação na Revista Mensal Encantamento Lendário. Sugerimos o envio a periódicos acadêmicos de menor rigor.”
Uma chama azulada surgiu na ponta dos dedos de Ambrósio, reduzindo a carta de recusa a cinzas, e ele resmungou, descontente: “Minha pesquisa está repleta de dados rigorosos e traz uma perspectiva inovadora. Não atende ao padrão? Isso é pura discriminação contra liches e magia dos mortos-vivos!”
A Revista Encantamento Lendário era o periódico mágico de maior prestígio do mundo, fundado pelos Nove Grandes Reinos e pelos Treze Arquimagos Lendários. Qualquer conjurador, independente de raça ou nacionalidade, podia submeter suas teorias para publicação.
Desde o seu lançamento, a revista contribuiu enormemente para o avanço da magia, tendo abrigado as bases teóricas de mais de vinte magias lendárias. Publicar um artigo ali era motivo de orgulho para todos os magos; até mesmo os magos da corte dos grandes reinos eram avaliados pela quantidade de artigos publicados, sendo necessário ter ao men